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HISTÓRIA / SANTO ANTÔNIO DE POSSE
ORIGEM DE SANTO ANTÔNIO DE POSSE

Textos extraídos da dissertação de pós-graduação “História Local – História de Santo Antônio de Posse”, de Ezequiel Nascimento da Silva, (Faculdade de Educação, São Luiz, Núcleo de Apoio – Poços de Caldas – Jaboticabal – 2006).
Ezequiel Nascimento da Silva é historiador, professor, teólogo, filósofo, pós-graduado em história e morador da cidade.

O SURGIMENTO DO BAIRRO RESSACA

Em 1725, foi construída a estrada que ligava São Paulo às Minas de Goiás por Luís Pedroso de Barros. Assim se deu o início do bairro Posse de Ressaca e, posteriormente Santo Antônio de Posse. Aos poucos surgem, às margens da Estrada que ligava São Paulo às Minas de Goiás - por volta de 1833, pequenos pontos de parada. Nesta estrada transitavam muitos proprietários de fazendas de café com destino às Minas de Goiás, em busca de um futuro melhor e paravam para descanso no “bairro” que, aos poucos, ia se formando em torno da estrada.

O maior desenvolvimento dessa região se deu com o florescimento do café. Os donos das terras, que eram políticos influentes na Província, determinaram a construção de uma estrada de ferro que ligasse Campinas a Mogi-Mirim, construtora de propriedade da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro (CMEF). E, em 27/08/1875, cria-se o marco da “Estação da Ressaca”.

Esta Estação facilitou muito o escoamento dos produtos, tornando-o mais rápido e prático, e isto ocorreu, também, com o transporte de imigrantes, de acordo com os relatórios da CMEF.

Nesses relatórios consta que no período de 1877 á 1889 desembarcaram na Estação da Ressaca 880 imigrantes, talvez intencionalmente encaminhados para a região a fim de atender aos interesses políticos (votos) e econômicos dos proprietários rurais da região: trabalhadores.

O SURGIMENTO DO POVOADO

A economia brasileira do século XIX foi marcada pela expansão da lavoura cafeeira que transformou o Sudeste na região mais importante do país. A expansão deste agronegócio trouxe um problema sério: a falta de uma mão-de-obra. O número de escravos estava cada vez mais escasso em razão da Lei Eusébio de Queiroz em 1850 e essas dificuldades levaram os cafeicultores a pressionar o governo no sentido de promover a migração. Atendendo a anúncios publicados no jornal “A Gazetinha”, após a abolição, muitos estrangeiros vieram para o Brasil à procura de trabalho, inclusive na nossa região.
A maioria absoluta foi de imigrantes italianos, como algumas famílias que se instalaram no bairro Ressaca: Aldemani, Beltrami, Becari, Bergo, Bianchi, Biazotto, Bocaleto, Buglia, Bruneli, Cavalaro, Cavenagui, Constantino, Cacheli, Ciluzzo, Degrande, Falseti, Ferrari, Ferro, Ferreti, Foroni, Furgeri, Furegatti, Gardinalli, Grimaldi, Grela, Jacobussi, Lala, Loli, Lucon, Masoti, Masssone, Menegueti, Menuzzo, Meschiari, Milani, Momesso, Murer, Nizoli, Padovan, Pavanello, Pelincer, Picolomini, Pierini, Romio, Restani, Russi, Romanini, Santini, Sartori, Savi, Selingardi, Semeghini, Siste, Simionato, Cimadon, Solera, Torezan, Trentin, Trolesi, Turolla, Vidolin, Vicençotte e Zonzini.

Algumas famílias libanesas também se instalaram: Baracat, Chaib, Hensse, Lian, Marum e Zidan. Algumas famílias portuguesas também vieram para a região: Coimbra, Coelho, Felippe, Teixeira e Vasconcelos.

A região, mais particularmente a cidade, foi favorecida por causa das inúmeras fazendas de café: Fazenda Ressaca, Fazenda Nova Esperança, Fazenda Sesmaria, Fazenda Santa Bárbara, Fazenda Jequitibá, Fazenda Pedra Branca, Fazenda Aurora e Fazenda Peixe.

Os imigrantes desempenharam um papel importante para a formação e o desenvolvimento da cidade, pois houve um período em que os imigrantes eram a maioria da nossa população e até hoje há uma grande herança e influência deles.

O NOME “RESSACA”

Com o florescimento do café na região de Mogi Mirim e Campinas houve a necessidade de se construir uma estação de Ferro – Estação Ferroviária – para o escoamento do café até os portos.

Em 27/08/1875 criou-se a Estação de Ferro. Todo o café da região era trazido para esta estação e, nela, REENSACADO para depois ser transportado pelo trem de ferro para os portos.

Esta Estação de Ferro foi construída no bairro que deu origem à cidade, que recebe o nome RESSACA - vindo exatamente a ser denominado assim pelo processo de REENSACAMENTO do café. Em 1893 o povoado do bairro Ressaca foi elevado a Distrito de Paz com a denominação de “Posse de Ressaca”.

O NOME “POSSE”

Não há uma confirmação precisa, mas tudo leva a acreditar que o nome POSSE é devido ao “Sítio da Posse”, como consta no Cartório de Registros de Imóveis de Mogi Mirim onde, entre 1878 e 1889, foram lavradas escrituras de compra e venda de terras. No início, esse sítio talvez tenha sido de diversos proprietários e, aos poucos, foi sendo dividido. Acredita-se que ele tenha sido fundamental para o nome POSSE. Em 1893 o povoado do bairro Ressaca foi elevado a Distrito de Paz com a denominação de “Posse de Ressaca”.

O SURGIMENTO DO COMÉRCIO LOCAL

Foi durante a época de 1880 a 1890 que pequenos comerciantes se instalaram às margens da Estrada Vicinal de Amparo e da Estação de Ressaca que, hoje é a atual Rua Dr. Jorge Tibiriçá, corta todo o Centro de Santo Antônio de Posse. E a outra margem da Estrada Vicinal que ligava Mogi Mirim a Jaguariúna é a atual Rua Santo Antonio na qual se situa a Igreja Matriz.

O SURGIMENTO DA IGREJA MATRIZ

As vias de transportes possibilitaram o desenvolvimento das atividades comerciais e, ao mesmo tempo, o desenvolvimento do povoado da Ressaca. Em 1892 os moradores deste povoado nomearam uma comissão de moradores da casta região para tratar da construção de uma igreja. A construção desta igreja cristã se deu para atender aos anseios religiosos do povo. Ficou decidido que o Santo Padroeiro escolhido pelos moradores, tanto pelo povo do povoado como o das fazendas vizinhas, seria “Santo Antônio”. A benção do lançamento da primeira pedra fundamental realizou-se no dia 25 de março de 1893, sendo doadores do terreno os senhores: Major Francisco Domingues de Magalhães e Antonio Manoel Saraiva que também atuaram como fabriqueiros. Em 1894 a Comissão, sob a presidência do Cônego João Evangelista Braga, vigário de Mogi Mirim, coordenou o trabalho ativamente na conclusão das obras entregues aos construtores João D. Araújo Braga e Servilho Finoti. O acabamento em madeira e o revestimento ficaram aos cuidados de Belmiro.

Em 1895 inicia-se a formação da primeira Irmandade de Posse a Santo Antônio, tendo por presidente o Sr. Antonio Ferreira de Camargo e secretário Ernesto Chiarini de Hugo. Nesta mesma época foi criada, pela comunidade local, a irmandade de São Benedito, cujos membros ainda não haviam se reunido até 1904. Após meses de trabalho árduo, a aludida comissão viu concretizada a edificação da pequena igreja, para júbilo da população da época.

LIDERANÇAS ANTES DA EMANCIPAÇÃO

Em 1893 o povoado do bairro Ressaca foi elevado a Distrito de Paz com a denominação de Posse de Ressaca, pela Lei Estadual N° 79, de 16/8/1893, passando a pertencer ao Município e Comarca de Moji Mirim (hoje Mogi Mirim). Até a data, o povoado pertencia ao Distrito Policial de Ressaca, pequena estação à beira da Estrada de Ferro Mogiana, com meia dúzia de casas habitadas por negociantes.

Em virtude da revolta de 06 de Setembro de 1893, o Distrito de Paz recém-criado pôde ser instalado somente em 09 de junho de 1894, com grandes festejos da população, quando as duas ruas principais da localidade receberam a denominação de Rua Ezequiel de Paula Ramos e Rua Dr. Jorge Tibiriçá, como reconhecimento pelos serviços prestados por aqueles cidadãos à coletividade, nomes que ainda hoje pertencem àquelas vias públicas.

A primeira eleição aconteceu no dia 10/05/1904, na casa do Coronel David Batista da Silva Parez, tendo sido eleitores: 1° - Juiz de Paz Augusto Elias de Toledo Lima, 2° - Manoel Andrade Cotrim e 3° - José Ivo de Souza Pinto. Em 17/06/1895 foi nomeado pela Câmara o primeiro zelador do cemitério e dos lampiões de Posse, Paulo José Marques. Em 25/02/1869 foi criado o cargo de fiscal de Posse. Durante um longo período da história de Santo Antônio de Posse o Capitão Pedro Antonio de Morais, estimado lavrador, administrou importantes fazendas em Ressaca e, como subprefeito, prestou ao distrito bons serviços públicos ligando seu nome ao progresso da localidade.
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